Terapêutica com ocitocina intranasal para déficits sociais e biomarcadores de resposta em crianças com autismo

Afiliações:

  1. Editado por Michael L. Platt, Universidade de Pennsylvania, Philadelphia, PA, e aceite pelo Editorial Board Member Michael S. Gazzaniga a 6 de Junho, 2017 (recebido para revisão a 17 de Abril, 2017)

Resumo

A Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) é caracterizada por déficits sociais nucleares. O prognóstico é reservado, em parte, pois a terapêutica farmacológica existente é apenas direcionada às características associadas à PEA. A evidência atual sugere que o neuropéptido ocitocina (OXT), detetável no sangue, pode ser um biomarcador do funcionamento social e um possível tratamento para a PEA. No entanto, estudos clínicos prévios com tratamento com OXT geraram resultados equívocos, possivelmente atribuíveis à heterogeneidade subjacente à biologia do neuropéptido entre indivíduos, sendo que esta hipótese nunca foi testada. Os autores realizaram um ensaio clínico duplamente cego, aleatorizado, com grupo de controlo, para testar a eficácia e tolerabilidade de um tratamento com 4 semanas de duração com OXT intranasal (24 Unidades Internacionais, duas vezes ao dia) em 32 crianças com PEA, com idades entre os 6 e os 12 anos. Quando as medições pré-tratamento da concentração do neuropéptido foram incluídas no modelo estatístico, a OXT comparada com o tratamento com placebo melhorou significamente as habilidades sociais em crianças com PEA [medida através do outcome primário, a Social Responsiveness Scale (SRS)]. As concentrações sanguíneas de OXT no sangue pré-tratamento também se revelaram preditoras da resposta ao tratamento, sendo que os indivíduos com as concentrações mais baixas de OXT pré-tratamento revelaram as melhorias mais significativas a nível de funcionamento social. A OXT foi bem tolerada, e os seus efeitos revelaram-se específicos para o comportamento social, não se tendo verificado decréscimo significativo nos comportamentos repetitivos ou na ansiedade. Finalmente, tal como em muitos outros ensaios clínicos, alguns pacientes tratados com placebo melhoraram com OXT. Esta melhoria no funcionamento social refletiu-se num aumento da concentração sanguínea de OXT pós-tratamento, sugerindo que o aumento da secreção endóngena de OXT pode estar na origem desta melhoria. Estes achado indicam que o tratamento com OXT melhoria as habilidade sociais em crianças com PEA e que indivíduos com defeitos de sinalização da OXT pré-tratamento poderão ser aqueles com maior benefício da terapêutica com OXT.

A proinsulina protege contra perdas cognitivas relacionadas com o envelhecimento através de vias de sinalização anti-inflamatórias convergentes

RubénCorpasa1Alberto M.Hernández-Pintob1DavidPorquetaCatalinaHernández-SánchezbcFatimaBoschcdArantxaOrtega-AznareFrancescComellasfEnrique J.de la Rosab2CoralSanfeliuag2https://doi.org/10.1016/j.neuropharm.2017.06.014

Resumo

A inflamação cerebral tem sido cada vez mais considerada de importante contribuição para as perdas cognitivas relacionadas com o processo de envelhecimento e neurodegeneração. Apesar de pesquisa intensive em múltiplos modelos, não foi ainda encontrado qualquer tratamento farmacológico clinicamente eficaz. No presente estudo foram testados, no modelo de senescência cerebral em ratos SAMP8, os efeitos da proinsulina, um promissor agente neuroprotetor previamente estabelecido como eficaz em modelos em ratos de neurodegeneração retinal. A proinsulina é precursora da hormona insulin mas também possui efeitos fisiológicos no desenvolvimento, em particular como fator de sobrevivência de células neurais. Vetores virais associados ao Adenovirus do serotipo 1 possuidores do gene humano da proinsulina foram administrados intramuscularmente para obter uma libertação mantida de proinsulina na corrente sanguínea, de modo a alcançar a área-alvo do hipocampo. Os modelos SAMP8 e os controlos SAMR1 foram ambos tratados com 1 mês de idade. Aos 6 meses, testes comportamentais revelaram perda cognitive nos ratos SAMP8 tratados com o vetor nulo. A performance cognitive nas tarefas de cognição especial e de reconhecimento em ratos SAMP8 tratados com proinsulina foi semelhante aos de ratos SAMR1. No hipocampo, a proinsulina induziu a ativação de vias neuroprotetoras e da cascata de sinalização a jusante, levando ao decréscimo de marcadores neuroinflamatórios. Ademais, o decréscimo da reativade dos astrócitos foi um efeito central, como demonstrado nas alterações em rede induzidas no conectoma pela proinsulina. Deste modo, os efeitos neuroprotetores da proinsulina humana poderão reveler uma nova potencial terapêutica farmacológica na luta contra as perdas cognitivas em idosos.

Ivermectina como coadjuvante na epilepsia refractária

J.A. Diazgranados-Sánchez, J.L. Mejía-Fernández, L.S. Chan-Guevara, M.H. Valencia-Artunduaga, J.L. Costa   Revista 65(07)Data de publicação 01/10/2017 ● Original

[REV NEUROL 2017;65:303-310] PMID: 28929472

Introdução. A ivermectina é um 22’23 dihidroderivado das avermectinas beta-1a, um antiparasitário de uso veterinário e humano de grande eficácia, utilizado para tratar endoparasitas de difícil controlo, como a filaríase e a oncocercose. Tem uma vida média plasmática de pelo menos 16 horas. As doses terapêuticas recomendadas variam entre 0,05 e 0,40 mg/kg, sem efeitos indesejados nem risco para a vida humana. Passou do êxito na utilização na saúde animal para aplicação em seres humanos, onde tem tido um grande impacto. Estudos em ciências básicas têm demonstrado que a ivermectina tem efeitos anticonvulsivantes em diferentes modelos animais epilépticos, onde se descreveram cinco mecanismos de ação diferentes.

Pacientes e métodos. Estudo descritivo, observacional prospetivo, realizado entre 2013 e 2015, com 32 pacientes epilépticos refractários, que receberam ivermectina como tratamento coadjuvante na dose de 10 mg/dia, três ou sete vezes por semana, controlados a cada três meses, seguidos durante 12-24 meses, sem retirada dos medicamentos anticonvulsivantes que recebiam previamente.

Resultados. Progressivamente, os pacientes entraram em controlo das crises. Ao final do período de seguimento programado, a percentagem total de redução das crises foi de 97%. Destes pacientes, 57% não voltou a apresentar crises desde o início do tratamento, e todos os pacientes se encontraram livres de crises segundo os critérios da Liga Internacional contra a Epilepsia.

Conclusão. A ivermectina revelou-se útil como coadjuvante e demonstrou uma significativa diminuição de crises neste grupo de pacientes farmacorresistentes.

 

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