Olho clínico

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Este mês de janeiro apresentamo-vos o caso da Feliciana:

A Feliciana, de 8 anos de idade, é uma raparigaça com um neurodesenvolvimento absolutamente convencional. Frequenta o 3º ano de escolaridade, com excelentes resultados. É sociável, embora tímida (sobretudo numa fase inicial) com pessoas que não conhece. É muito timorata, principalmente na ausência dos pais. A Feliciana sempre teve alguma dificuldade em separar-se da mãe. Aos 5 anos de idade, foram descritas birras frequentes quando era obrigada a afastar-se dos pais, particularmente da mãe (por exemplo, ir para a escola; ficar em casa dos avós; …). Embora reinadia, recusava-se a ir às festas de aniversários dos colegas quando a mãe não ficava por lá. Presentemente, dorme na cama dos pais e, quando lhe é recusado, chora e grita (estrebucha freneticamente, diríamos), não conseguindo adormecer. Tem medo, ou melhor, pavor, que os pais morram; e, todos os dias, um dos pais tem de ficar com ela na escola; quando se vão embora, a Feliciana fica sempre a chorar e tem alguma dificuldade em se apaziguar. Preocupados, os pais consultaram um pediatra lé em Alcobaça que formulou um estranho diagnóstico: ????. Iniciou, de imediato, uma intervenção psicológica, dita cognitivo-comportamental, com óptimos resultados. Volvidos uns meses, a Feliciana parece outra: é tão independente que já só pensa em fazer sozinha, como o primo Samuel, uma viagem de inter-rail por essa Europa fora …

Veja a solução na edição do próximo mês.

Por:

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Maria João Palha
  • Interna de Pediatria do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (Hospital de Santa Maria)
  • Departamento de Pediatria (Directora: Profª. Dr.ª Celeste Barreto)
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Inês Viegas Santos
  • Psicóloga Clínica

Apresentamo-vos a solução do caso do mês de dezembro, o caso da Brenda:

A Brenda, uma moça de 12 anos idade, frequenta o 6º ano da escolaridade, numa escola do concelho de Mértola. Sempre foi uma rapariga normal, como dizem lá na terra. Relativamente ao neurodesenvolvimento, ao comportamento e à aprendizagem, não são conhecidas, até há pouco tempo atrás, quaisquer menções dignas de registo. Mas, durante a frequência escolar deste ano, foi referido um baixo rendimento académico, associado a alterações comportamentais durante o período académico, designadamente “… sonolência ao longo do dia; dificuldade em concentrar-se nas tarefas; “preguiça” para trabalhar”. Os pais, apesar do percurso escolar formalmente escorreito, sempre a acharam uma criança preguiçosa, inactiva e com pouca vontade de estudar. Indolente, diziam eles. Todavia, este ano, as manifestações tornaram-se particularmente graves, com sonolência excessiva durante todo o dia e toda a noite. Decidiram consultar um Pediatra do Neurodesenvolvimento em Évora, que formulou um diagnóstico surpreendente: “????”. Foi medicada e a mudança foi radical. Hoje, pouco ou nada quer dormir e até já lhe chamam lá na terra a “Rainha da Noite”.

Resposta:

Narcolepsia

A narcolepsia é uma perturbação do sono e uma das mais importantes causas de sonolência excessiva diurna em pediatria. Condiciona um decréscimo significativo na qualidade de vida e associado a um risco aumentado para acidentes de viação ou de trabalho.

Classicamente caracterizada por sonolência diurna excessiva, cataplexia (episódios breves e súbitos de perda de tónus muscular bilateral) e sintomas relacionados com o sono REM, como paralisia do sono e alucinações hipnagógicas e hipnopômpicas.

Os critérios diagnósticos incluem manifestações clínicas de cataplexia e sonolência diurna excessiva por um período superior a 3 meses.

O tratamento inclui melhoria na higiene do sono e sestas curtas de cerca de 15 minutos durante o dia. A maioria dos pacientes necessitará de estimulantes do Sistema Nervoso Central como o metilfenidato, por exemplo.

Referências:

Mohamed O.E. Babiker MBBS, MRCPCH and Manish Prasad MD, MRCPCH; Narcolepsy in Children: A Diagnostic and Management Approach; Pediatric Neurology, 2015-06-01, Volume 52, Issue 6, Pages 557-565

– DSM V

– Gregory Stores, Paul Montgomery, Luci Wiggs; The Psychosocial Problems of Children With Narcolepsy and Those With Excessive Daytime Sleepiness of Uncertain Origin; Pediatrics

October 2006, VOLUME 118 / ISSUE 4

Nídia Belo

  • Interna de Pediatria do Centro Hospitalar de Évora (Diretor do Serviço de Pediatria: Dr Hélder Gonçalves)

 

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Marta Pinheiro

  • Centro Diferenças

 

 

 

 

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