Flashes em neurodesenvolvimento

Uso de cocaína na adolescência é ainda mais prejudicial que na idade adulta

Lopes BM, Gonçalves PD, Ometto M, Dos Santos B, Cavallet M, Chaim-Avancini TM, et al

Uma investigação realizada no Brasil demonstrou de forma objetiva que as pessoas que começam a usar cocaína durante a adolescência desenvolvem défices cognitivos mais significativos que aquelas iniciam o consumo da droga durante a idade adulta.

Os investigadores avaliaram 103 pacientes dependentes de cocaína: 52 com início precoce (antes dos 18 anos) e 51 com início tardio (após os 18 anos). Havia um terceiro grupo de controlo constituído por 63 pessoas sem consumo de substâncias psicoativas. A idade dos participantes variou entre os 20 e os 35 anos, sem diferença de género.

A avaliação realizou-se mediante a aplicação de um conjunto de testes, como a bateria de avaliação frontal, o teste de Stroop, o teste de fluidez verbal, o teste de classificação de cartões de Wisconsin, a figura de Rey-Osterrieth e o Iowa Gambling Task. Basicamente era proposto ao participante uma tarefa que devia executar. Por exemplo, repetir uma série de números na ordem inversa ou reproduzir uma figura de memória 30 minutos após ter sido observada. Ao comparar os indivíduos com consumo de início tardio ao grupo de controlo, ajustando os resultados de acordo com variáveis como idade e quociente intelectual, os investigadores verificaram diferenças apenas na capacidade de atenção dividida. No entanto, ao comparar ambos os grupos de toxicodependentes, verificaram-se diferenças significativas na atenção sustentada, memória de trabalho e memória declarativa.

Segundo os autores, a adolescência é uma das etapas cruciais do desenvolvimento cerebral, altura em que se elimina o excesso de sinapses e se selecionam e refinam as estruturas essenciais para a vida adulta. O uso de drogas nesta fase pode dificultar o processo de programação do cérebro e fazer com que se percam conexões importantes.

Artigo original disponível aqui.

Um estudo a grande escala associa as infeções estreptococicas da orofaringe a perturbações mentais

Orlovska S, Vestergaard CH, Bech BH, Nordentoft M, Vestergaard M, Benros ME

A infeção estreptocócica tem sido relacionada com o desenvolvimento de perturbação obsessivo-compulsiva (POC) e perturbação de tiques, um conceito denominado PANDAS (perturbações neuropsiquiátricas autoimunes pediátricas associadas com infeção estreptocócica). No entanto, estudos anteriores tinham amostras pequenas e os resultados têm sido controversos. Um novo estudo em grande escala investigou o risco de perturbações mentais, especificamente POC e perturbação de tiques, depois de uma infeção estreptocócica orofaríngea, utilizando dados de registos nacionais dinamarqueses com um seguimento ao longo de 17 anos. Das 1.067.743 crianças (idade <18 anos) incluídos no estudo, 638.265 tinham sido submetidos a uma prova estreptocócica, dos quais 349.982 tinham resultados positivos pelo menos uma vez. Os indivíduos com prova estreptocócica positiva tiveram um maior risco de qualquer perturbação mental (n=15.408) particularmente POC (n=556) e perturbação de tiques (=993), em comparação com as crianças sem uma prova estreptocócica. Além disso, o risco de qualquer perturbação mental e POC foi mais elevado após uma infeção orofaríngea de etiologia estreptocócica do que após infeção orofaringe de etiologia não estreptocócica. No entanto as crianças com infeção orofaríngea não estreptocócica também apresentam risco elevado de qualquer perturbação mental (n=11.315), POC (n=316) e perturbação de tiques (n=662).

Artigo original disponível aqui.

Associação entre o consumo de paracetamol durante a gravidez e o risco de phda nas crianças

Ystrom E, Gustavson K, Brandlistuen RE, Knudsen GP, Magnus P, Susser E, et al

Um estudo realizado na Noruega ampliou as evidências que associam o consumo de paracetamol durante a gravidez com o aumento do risco de problemas comportamentais nas crianças.

Os investigadores obtiveram dados de 112.973 crianças norueguesas que incluíram 2.246 casos de perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA). Após ajustar várias variáveis (consumo de paracetamol antes da gravidez, risco familiar de PHDA e indicações para a utilização do fármaco), verificou-se que as mães que tomaram paracetamol durante a gravidez tinham uma probabilidade ligeiramente aumentada de que o seu filho apresentasse PHDA.

A associação limita-se ao consumo a longo prazo, sobretudo um mês ou mais. Assim, quando as mulheres grávidas tomaram paracetamol durante mais de 29 dias, os seus filhos apresentam o dobro de probabilidade de desenvolver PHDA, comparativamente com as mulheres grávidas que não usaram o medicamente (odds ratio: 2,20; IC 95%: 1,50-3,24). No entanto quando as mulheres grávidas tomaram o medicamento durante uma semana ou menos, os seus filhos apresentaram uma ligeira redução do risco de desenvolver PHDA (odds ratio: 0,90; IC 95%: 0,81-1,00).

Artigo original disponível aqui.

 

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