Caso clínico

O AG, 3 anos, a frequentar o jardim-de-infância (após transição do infantário) foi referenciado por manter, diariamente, comportamentos de isolamento social, movimentos repetitivos, “tiques” e por não falar, de forma ajustada e intencional (os pais relatam que chegou a dizer algumas palavras em inglês, mas nenhuma empregue de forma útil).

Na consulta de Pediatria do Neurodesenvolvimento não mostrou intencionalidade comunicativa, vontade de brincar ou explorar o espaço envolvente, aparentemente não fazia contacto ocular nem reagia aos estímulos verbais dados pela pediatra ou pelos pais. Os tiques eram afinal estereotipias e revelou uma enorme desatenção durante toda a consulta.

De acordo com os relatos dos pais não evidenciava qualquer tipo de alteração alimentar ou de higiene do sono, embora, durante o mesmo, se mexesse muito. Na escola não se envolvia em atividades propostas ao grupo, aparentemente não escutava as histórias e não mostrava interesse em participar nas aulas de música, expressão físico-motora nem nos ateliers de artes. Estava isolado a maior parte do tempo, não falava com ninguém e parecia distraído e até alheado de tudo à sua volta.

A pediatra recomendou aos pais terapia bissemanal com uma Psicóloga Educacional, em contexto escolar e familiar para que, quer a educadora quer os pais assistissem aos momentos de reunião da psicóloga com o AG e, desta forma, pudessem estimula-lo quando a psicóloga não estava presente. Esta união de todos os envolvidos no processo de desenvolvimento do AG foi crucial para que a intervenção resultasse. O AG começou, gradualmente a corresponder. Apareceram as “primeiras palavras”, de forma consistente e ajustadas às situações. O olhar começou a ser direcionado para adultos e surgiu alguma intencionalidade comunicativa, ainda que em jeito de ecolalia. Esta ecolalia começou a ser utilizada pelo AG, noutros momentos, para comunicar! Começou, progressivamente, a participar nas atividades do grupo, sempre adjuvado por um adulto. Começou a mostrar que estava a aprender e a apropriar-se destas aprendizagens. Continuou a falar bastante bem em inglês, mostrou um grande interesse por letras e números e chegou a aprender a ler e escrever no pré-escolar.

Atualmente tem 7 anos, está no primeiro ano. Sabe falar, responde (parcialmente) a algumas perguntas, faz pedidos. Tem uma leitura fluente e escreve em português e em inglês. Sabe fazer somas simples e está a aprender a fazer subtrações. Está a aprender a interpretar o que lê. É acompanhado pela mesma psicóloga e à equipa juntou-se a terapeuta da fala e a professora de ensino especial. O AG é, sem dúvida, brilhante e surpreende-nos todos os dias.

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